Imprensa Alternativa

Blog de reportagens, crônicas, artigos, poesias e declarações de amor de um jornalista apaixonado.
:: Entrem sem bater no blog Imprensa Alternativa :: bloghome | Cartas ao Editor | OMBUDSMAN ::
Procura-se
Perfil
Sou jornalista e já fui poeta. Comecei escrevendo em jornais alternativos e estou neles até hoje. Creio que o jornalista pode contribuir em muito com a mudança do mundo mostrando coisas boas e bons exemplos. Porque eles existem. Sou apaixonado pela minha futura noiva, Isabele. Quero fazer dela a mulher mais feliz do mundo. Tenho duas missões, cuidar dela e quem sabe ajudar a fundar um jornal para um mundo melhor. Pelo menos são dois sonhos que abracei como missão. Fui eleitor do PT e estou absolutamente decepcionado com o Lula. Nasci em 30 de janeiro de 1982, sou carioca e flamenguista. Sou espiritualista, admirador de Jesus, Gandhi e Francisco de Assis. Sou um pacifista meio rebelde, mas em vias de me regenerar. Amo a Deus, a vida, a justiça, a liberdade e, é claro, a minha morena linda, a Isa.
Currículo
(Hoje) Jornalista do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ). Editor do jornal quase Bimestral, que deveria ser mensal. Responsável pelo conteúdo jornalístico do site da entidade. Assessoria de imprensa.
(2004) Repórter da Revista Vida do Jornal do Brasil (JB), assinava a coluna Zen.
(2004) Assistente de Produção do programa Campus Universitário, produzido na Uerj e veiculado na TVE.
(2002-2004) Repórter da Associação de Docentes da Uerj (Asduerj). Escrevia reportagens para o boletim semanal.
(2000-2003) Repórter do Jornal alternativo Essência Vital, de periodicidade mensal.
(Outras experiências) Repórter free-lancer da Revista Utopia. Colunista das Revistas Mandala e Simplesmente Bonitta e do Jornal Berinjela é com J?
NO Orkut
Meu perfil
Comunidade Amamos Mulheres Complicadas
Imprensa Alternativa
Bafafá 100% opinião
Caros Amigos
Tirinhas Vida Besta
Re-vista!
Blogs de Jornalistas
Ricardo Noblat
Fernando Rodrigues
Josias de Souza
Blogs recomendados
A noite de lua nova
In a bottle of wine
Kibeloco
Fui eu mesma quem fez, sim senhora!
Fale com Deus
Jesus me chicoteia
Homem é tudo palhaço
Banheiro Feminino
O mundo é estranho
Clique para entrar!
Cidadania
Hora certa
Previsão do tempo
Arquivo

:: Sábado, Abril 22, 2006 ::

CORREÇÃO

O ENDEREÇO DO NOVO BLOG É http://rafaelmarti.blogspot.com faltou o g no endereço.

vejo vocês lá.

Rafael Martí 7:37 PM Exercite sua Liberdade de Expressão:
:: Quinta-feira, Março 30, 2006 ::
NOVO BLOG

Queridos leitores e amigos, esse espaço está muito saturado e resolvi fazer um blog só de crônicas e artigos. Não deixem de passar lá e dar uma espiadinha. Ele será atualizado com frequência. http://rafaelmarti.blospot.com

Rafael Martí 4:28 PM Exercite sua Liberdade de Expressão:
:: Sexta-feira, Março 10, 2006 ::
TODO PODER ÀS MULHERES

O dia internacional da mulher, comemorado em 8 de março, possui pelo menos duas versões distintas. A mais famosa conta que em 1857, 129 operárias de uma fábrica de tecido, em Nova Iorque, foram queimadas em uma ação da polícia contra as manifestantes, que dentre outras coisas queriam a redução da jornada de trabalho de 14 para somente 10 horas (?!), além da licença-maternidade. A outra versão, muito difundida entre a esquerda, seria a de que o 8 de março nasceu da greve de tecelãs e costureiras de Petrogrado, na Rússia, em 23 de fevereiro de 1917 (8 de março no calendário ocidental) precipitando o estouro da primeira fase da revolução russa.
Para mim não importa de onde nasceu essa data, mas sim o que ela simboliza. Tanto uma quanto a outra versão mostram a insatisfação das mulheres contra a opressão masculina. E a coragem que elas tiveram de lutar por sua autodeterminação. Não é de hoje que defendo uma tese que causa muita polêmica. A de que nós homens somos devedores das mulheres e devemos pagar uma dívida contraída por nossos antepassados.

Minha opinião é a seguinte. Desde que nos organizamos em sociedade, salvo algumas exceções, o mundo é regido pela força masculina. Pelo machismo e pela submissão da mulher. A ela todo prazer é negado. Na Grécia, berço da filosofia e democracia, mulheres eram consideradas inferiores, tanto que o prazer entre os gregos era obtido com sexo entre homens. Sexo com mulher apenas para reprodução. Em todas as guerras, as mulheres sempre foram as que mais sofreram. Perdiam seus filhos nos campos de batalhas, eram estupradas, obrigadas a se prostituir.

Durante séculos e mais séculos foram alijadas do processo democrático, das revoluções progressistas, das artes, das ciências e do amor. A elas não era permitido escolher seus parceiros, exceções feitas às prostitutas, que eram ¿ ainda são ¿ recriminadas pela hipocrisia.

Como se não bastasse tanta tragédia elas ainda foram obrigadas a servir de escravas no lar. Submissas ao pai, depois ao esposo. Não podiam dizer não. Tinham que agüentar caladas a traição, afinal ¿homem é assim mesmo¿. E ainda por cima lavar, passar cozinhar, educar os filhos, de uma maneira machista, reproduzindo as mesmas idéias opressoras.

Graças a Deus as mulheres foram à luta. Tenho inúmeras críticas ao movimento feminista, principalmente por acreditar que elas buscaram ser iguais aos homens no que eles tinham de pior, mas isso não tira o mérito de que hoje em dia o machismo já não é visto como uma coisa tão natural.

As mulheres atualmente ocupam postos de trabalho de igual para igual com o homem. Entretanto, quando chegam a sua casa ainda tem que suportar a chamada jornada dupla de trabalho e cuidar do lar e dos filhos, já que raros são os companheiros dignos desse nome que dividem o trabalho doméstico ao invés de simplesmente ajudar, como se estivessem sendo caridosos. Na verdade, a mulher sofre com uma jornada quádrupla. Devem ser mães, profissionais, amantes, amigas, estarem sempre lindas e dispostas a tudo. Isso sem cair do salto.

Falando sério, agora. Sem prosopopéia ou demagogia. Está na hora de nós homens nos mancarmos, levantarmos nossos traseiros machistas da cadeira e começarmos a respeitar a mulher. Dividir suas dores e lutas. E acima de tudo, sermos verdadeiramente companheiros. Caminharmos ao lado, sem submissão nem nossa, nem delas. Conquistarmos as mulheres, não como troféus de caça, mas como uma meta de vida. Uma missão inadiável.

Só quando começarmos a dar vida boa para nossas mulheres, buscando entendê-las e amá-las ¿ afinal não foi o poeta quem disse ¿amai para entendê-las¿? ¿ é que nós começaremos a pagar essa dívida descomunal. E tenham a certeza de que o mundo será um lugar muito melhor para vivermos quando elas forem mais bem tratadas. Parodiando os revolucionários russos em 1917: ¿todo poder às mulheres¿.

Rafael Marti é jornalista e um defensor incondicional das mulheres. rafaelmarti@globo.com


Rafael Martí 9:17 AM Exercite sua Liberdade de Expressão:
:: Sábado, Janeiro 21, 2006 ::
A CRISE DOS 20 E POUCOS ANOS

Desde muito cedo ouço na falar na crise dos 20 e poucos anos. Honestamente acreditava que isso era uma grande frescura. Afinal, aos 18 anos, eu tinha segurança do que queria para mim. Sempre sonhei em ser escritor e o caminho natural para a realização do sonho passaria pelo jornalismo (Aqui cabe um parênteses caso você também acredite nessa besteira acorde enquanto é tempo, Drummond era funcionário público e Manuel Bandeira era professor de letras). Teve uma época na vida que eu tinha todas as certezas do mundo. Era só me formar para mostrar o meu grande talento e que as minhas teorias estavam corretas.
Pois bem, como era de se esperar, esse dia nunca chegou. E cá estou eu aqui escrevendo sobre a crise dos vinte e poucos como mais um entre milhões de jovens que sofrem do mal. Tenho 24 anos e há dois me formei na faculdade de jornalismo da Uerj. Durante todo o tempo de universidade eu quis largar o curso, pois desconfiava que isso não fosse para mim.
Mas teimoso que sou fui em frente. Estou formado, trabalhando na área só Deus sabe como e um tanto quanto infeliz. Continuo querendo ser escritor, mas acho que não sirvo para esse negócio de jornalismo.
Pensei em largar tudo e meditar numa colina do Tibet. Como o Tibet é muito longe, não tem rodízio de pizza e sofre com a ditadura da China, abortei a idéia. Mais fácil arrumar outra coisa para fazer. Mas o quê? Eis aí o grande mal em crescer. Você passa a ser livre, mas não pode mais fugir das conseqüências dos seus atos como acontecia na infância. Você não pode mais mudar o rumo de tudo em um rompante, como uma criança que muda de escola ou decide trocar a natação pelo futebol.
Uma solução clichê é arrumar algum emprego ou um concurso, enquanto se faz outra faculdade. Boa, mas que faculdade? Meu negócio é escrever, lembram? Amigos leitores, o desespero toma conta do cronista. E como eu muitos jovens passam por esse dilema ¿hamletiano¿. Ser ou não ser... Complete você: adulto, jornalista, marido.
Pensei em tantas coisas que mal cabem no papel. Arqueólogo, psicólogo, presidente da República ¿ sou mais honesto e legal que muita gente que subiu a rampa ¿, terapeuta floral, massoterapeuta, filósofo, sociólogo etc. Mas em nenhuma delas eu me senti completo. Talvez nunca me sinta. Só quando estou diante de uma tela de computador escrevendo alguma coisa é que me sinto feliz. Isso desde o tempo em que não tinha computador na minha casa e pegava a máquina de escrever dos meus pais para inventar histórias (sim eu ainda vivi na era das barulhentas máquinas de escrever).
Para quem não se lembra mais, a crise dos 20 e poucos anos geralmente se manifesta da seguinte forma. Insatisfação no trabalho e/ou com a profissão escolhida, pouco dinheiro no bolso, problemas no relacionamento ¿ casar ou não casar, dentre outras coisas.
Para mim, graças a Deus, só se manifestou com relação à profissão. Mas eu me acho, nem que tenha que mudar de planeta, de nome e de profissão. Só não mudo de amor porque aí é muita crise para um homem só.
O pior de tudo isso é que quando eu me encontrar provavelmente estarei na casa dos trinta, quando dizem que ocorre nos homens uma crise de proporções astrológicas carnavalescas ¿ algo sobre um tal de retorno de Saturno. E depois dessa chegamos aos 40, quando, adivinhem, tem outra crise.
Não me espanta que o Brasil esteja em crise, já que nós vivemos nela. Estou desconfiado que a época da sabedoria seja mesmo a terceira idade. Eu pelo menos nunca ouvi falar de crise dos 50, 60, 70 e muitos anos.
Ufa! Parece que encontrei uma saída. Já sei o que quero ser além de escritor. Quero ter 60 anos!

Rafael Martí não sabe mais se é jornalista e está na fase da crise dos 20 e poucos anos. Conselhos e confidências em rafaelmarti@globo.com


Rafael Martí 11:31 PM Exercite sua Liberdade de Expressão:
:: Quinta-feira, Dezembro 29, 2005 ::
2006: O ANO QUE MUDOU NOSSAS VIDAS Será publicado na revista Mandala de janeiro de 2006

Diálogo entre um avô e seu neto em janeiro de 2057.

¿ Vô, conta de novo aquelas histórias sobre 2006, aquele ano em que tudo aconteceu.

¿ Ah, meu filho, isso faz tanto tempo. O ano de 2006 entrou para a história do Brasil como o ano em que a nação toda fez um esforço imenso e conseguimos acabar com a fome. Não foi nada fácil. Primeiro fomos às ruas e fechamos o congresso. Expulsamos os vendilhões do planalto e começamos a nos auto governar. Democracia, meu filho. O que hoje parece natural para você, naquela época era coisa de comunista, de baderneiro.

Fizemos a reforma agrária, meu neto. Rompemos com o FMI e os banqueiros. A economia passou a servir o povo. Pleno emprego, distribuição de renda e, zas, acabamos com a fome.

Foi o ano também em que o Brasil foi campeão do mundo na Alemanha. Que seleção, meu filho, que seleção. Ganhamos todos os jogos de goleada, melhor ataque, melhor defesa, e para completar vencemos a Argentina por 4 a 1 na final, com um golaço do Ronaldinho Gaúcho, que driblou o time deles inteiro duas vezes antes de chutar para as redes. Foi o ano em que o Brasil peitou os EUA e impediu que eles invadissem a Venezuela. Desde então o Brasil é quem dá as cartas na política internacional. Sempre ajudando a democracia, a paz verdadeira, sem vencidos ou vencedores, levando o pão aos países que passam por fome e impedindo massacres e genocídios. Ao invés de soldados, nosso país envia, desde então, médicos e professores. Aquele ano, meu filho, foi o ano da minha geração.

+++

O diálogo acima bem que poderia ser real. Quando fui convocado para tentar traçar algumas previsões para 2006 eu gostaria muito de escrever que esse será o ano em que nosso país finalmente se tornará mãe gentil a seus filhos. Mas de tudo o que foi acima descrito, a única coisa possível e real é a conquista do hexacampeonato. No mais será tudo a mesma coisa. Vamos eleger mais um traidor para presidente. Serra, Alckmin, Lula, Aécio e outros são todos iguais. Não acabaremos com a fome dos nossos irmãos. Nem deixaremos de lamber as botas ianques. Uma pena.

Vou tentar então traçar algumas previsões pessimistas. Elegeremos o José Serra. As CPIs vão acabar em pizza. Alguém da família Garotinho vai terminar de enterrar o Rio de Janeiro. E para o meu desgosto profundo o Flamengo será rebaixado, para alegria do nosso editor, Guaracy, botafoguense roxo. Mas em compensação existirão muitas coisas boas. O Brasil será hexacampeão do mundo e de quebra a Argentina vai amarelar e ser desclassificada na primeira fase. Vamos golear a França em alguma etapa do mundial com três gols do Ronaldo. O Vasco não será campeão de novo e o Botafogo vai ser rebaixado junto com o Flamengo, para minha alegria e desgosto do Guaracy.

No mais o futuro é imprevisível. Antoine de Saint-Exupery, autor de O pequeno Príncipe, dizia que ¿nossa única responsabilidade quanto ao futuro é permiti-lo e não prevê-lo¿. E já que temos que permitir o futuro, que tal começarmos a nos mobilizar contra tudo aquilo que é injusto e ruim no mundo? Fome, miséria, analfabetismo, guerra, corrupção, preconceito são males que precisam ser varridos para o lixo da história. Permitir que o amor, o perdão, a caridade, a justiça, a bondade, a liberdade e igualdade invadam nossas vidas é o mínimo que podemos fazer se quisermos realmente paz, alegria e um feliz ano novo.

Se nós começarmos hoje, com certeza não mudaremos tudo até o final desse ano. Mas quem sabe os nossos netos não contem para os netos deles a história que contei no início? Eu vou fazer a minha parte. Para mim, 2006 será o ano em que me tornei um homem melhor.

Rafael Marti é jornalista, sempre escreve aquilo que sente e deseja a todos os leitores um 2006 de transformação. Exercite sua liberdade de expressão em www.imprensaalternativa.blogger.com.br


Rafael Martí 11:16 AM Exercite sua Liberdade de Expressão:
:: Domingo, Dezembro 25, 2005 ::
Algumas coisinhas sobre o natal

Natal para mim não significa muita coisa. Dizem que é porque Jesus nasceu. Mas ele não nasceu em dezembro. Também duvido que alguma coisa dessa festa de hoje se pareça com sua mensagem. Consumismo desenfreado, peru de natal, sorrisos forçados, falsa bondade.

Se todos nós fizéssemos cada dia um dia de natal tudo bem. Mas esperar um ano inteiro para perdoar aquela ex-namorada grossa, ou aquele parente inconveniente? Eu achava anos atrás que devíamos trazer o espírito de natal para todos os dias. Mas depois fui percebendo que ele não é homogêneo. Muitos consideram o natal enfadonho. Acham a bondade sazonal algo artifical. Além do mais muitos nem sabem quem foi Cristo.

Hoje eu acho que o espírito do natal se perdeu tanto que se o tivéssemos todo dia viveríamos numa ilha da fantasia, estressante e consumista, com sorrisos forçados. Acho melhor que tentemos, os que acreditam nele, 'amar como Jesus amou, viver como Jesus viveu', tal e qual a canção de minha infância.

Bem é isso. Natal é uma festa burguesa e pagã. Que não tem nada a ver com ele. Mas pelo menos para alguns, ele é lembrado. Quem dera que fosse com todos.


+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++


Para mostrar que não sou um pessimista de todo, eu adoro o ano novo. Para mim é uma festa do cacete. Quando estamos cansados, prestes a desistir eis que surge de novo a esperança a nos pegar pelo colo e nos dar um ano novinho em folha para tentarmos de novo e de novo fazer as coisas da melhor forma possível. É o milagre da multiplicação das chances de crescer. Essa eu comemoro com mais alegria e alívio.


+++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

'Só análise expulsa demônios das pessoas.' Essa frase não é minha. Peguei emprestado do orkut de uma amiga da minha namorada. Achei genial (Ela vai odiar ler isso, odeia puxa-saquismos). Mas a frase é muito engraçada mesmo.


Rafael Martí 8:03 PM Exercite sua Liberdade de Expressão:
:: Terça-feira, Dezembro 20, 2005 ::
CARISMA E ÉTICA (publicado na Revista Mandala de dezembro de 2005)

No dicionário Houaiss a palavra carisma quer dizer: dom divino concedido a um crente para o bem da comunidade; autoridade ou fascinação irresistível exercida sobre um grupo de pessoas por um líder político; habilidades e poder de encantar e seduzir o público que um artista, esportista ou ator possuem.

Quanto à definição teológica, falaremos sobre ela mais adiante. Sei que os católicos usam essa definição. Espíritas não. Nem umbandistas, hinduístas, budistas. Algumas religiões pentecostais chamam isso de dom.

No Brasil é mais comum nos referirmos ao carisma no campo sociológico. Dizemos que Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Robinho, Pelé, Zico, Oscar Schmitd, Hortência, Nalbert e tantos outros são atletas carismáticos. Eles conquistam o público com seu talento. Entretanto no esporte parece que essa definição se dilui um pouco. Alguns atletas, tipo bad boys, não se esforçam em serem simpáticos com o público, mas seduzem pela sua genialidade. Outros, como os já citados, aliam as duas capacidades.

Na política, o carisma é a cereja do bolo. Em uma democracia madura e honesta, a capacidade que um político tem de convencer e mostrar que suas idéias são as melhores, apenas usando retórica e exemplo, deveria ser o principal componente. Mas hoje o carisma é usado para enganar, iludir, conquistar o poder e atraiçoar o povo.

Aí é que está o grande problema do carisma. Ele é uma ferramenta, usada sem nenhum ingrediente moral. Fidel tem carisma? Sim. Bush, também, ou não seria eleito duas vezes para presidente dos EUA. Stálin, Perón, Getúlio Vargas e Collor também tinham. Como se vê políticos das mais diversas matizes ideológicas usaram e usam o carisma para conquistar o poder. Alguns conseguem mantê-lo na base do carisma. Getúlio Vargas, por exemplo, é um caso singular. Foi um ditador que depois voltou eleito pela ampla maioria dos votos, ou 'nos braços do povo'.

Outros perdem o carisma quando são desmascarados. Fernando Collor não consegue se eleger nem para vereador de Canapí. Acredito que Bush também não.

Voltando a definição teológica de carisma vemos que é um dom usado para o bem de uma comunidade. Em minha opinião esse deveria ser o uso dado ao carisma na política. Quando o crente recebe esse dom, procura ser um instrumento de Deus para praticar a caridade e levar consolo aos aflitos. Assim deveria ser na política. Todo político dotado de carisma deveria usá-lo para defender o povo e protegê-lo contra os tiranos, as potências estrangeiras imperialistas, a fome, a miséria, o FMI etc.

Deveria dar-lhe uso ÉTICO, buscando o progresso de uma nação e o desenvolvimento da sociedade. Afinal seduzir pessoas é um dom muito perigoso. Vide os cafajestes e canalhas que seduzem mocinhas indefesas e as iludem. Os políticos corruptos são assim. Nós, o povo, somos todos donzelas virgem acreditando que o bon vivant de olhos claros que nos seduz vai casar conosco. Mas ele só quer uma noite de prazer, nesse caso, o nosso voto, para depois procurar outra donzela virgem e começar tudo de novo.

Assim como algumas religiões pregam uma renovação pelo carisma, valorizando dons como capacidade de perdoar, humildade, desprendimento e amor, é vital para a transformação do nosso país uma renovação carismática nos políticos.

Que eles sejam éticos, desprendidos, corajosos na defesa dos desvalidos e firmes na luta contra as injustiças. Que tenham o dom da palavra, mas, sobretudo, o dom do exemplo. Uma utopia? Talvez. Mas estou convencido de que só assim o Brasil e o Mundo têm alguma chance de não marchar rumo à destruição. Renovação Carismática na política já!

Rafael Marti é jornalista e não é candidato a nada, mas acredita em carisma com ética para mudar o mundo. rafaelmarti@globo.com


Rafael Martí 10:15 AM Exercite sua Liberdade de Expressão:
:: Sexta-feira, Dezembro 16, 2005 ::
Drummond: ontem, hoje, pela vida inteira - escrito para o Jornal Beringela é com J? de outubro

Hoje não vou falar de política. Estamos saturados pelos escândalos. Ninguém agüenta mais e não serei eu que trarei enfado aos meus queridos leitores (que presumo serem pelo menos minha mãe e namorada). Poderia falar do adeus a Severino ¿ o ex-presidente da Câmara, que já foi tarde. Ou do adeus a Apolônio de Carvalho, bravo brasileiro, considerado herói na França, por sua resistência ao nazismo, e na Espanha, por sua resistência ao general Franco.

Nessa coluna vou falar sobre literatura, especificamente sobre o grande poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. Drummond nasceu em Itabira, interior de Minas Gerais, em 31 de outubro de 1902. No poema ¿sobrevivente¿ ele começa dizendo que ¿é impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade¿. Durante todo esse poema ele vai falando do ¿progresso tecnológico¿ que nos afasta uns dos outros e também faz uma denúncia da guerra. ¿Os homens não melhoram e matam-se como percevejos¿, escreveu. No último verso do poema uma singela conclusão: ¿desconfio que escrevi um poema¿.

Drummond em sua vasta poética reuniu uma temática que ia desde a perplexidade com as invenções do mundo moderno e o amor e suas contradições, até o engajamento político em favor dos excluídos e contra a guerra. E é justamente essa faceta drummoniana que mais me atrai.

Com o calor da Segunda Guerra chegou inclusive a ser co-editor do jornal comunista ¿Tribuna Popular¿. E justamente no ano de 1945 escreve seu livro tido como o mais engajado e político, ¿A Rosa do Povo¿. No livro, tece louvores à resistência de Stalingrado à invasão nazista no poema ¿Carta à Stalingrado¿: ¿As cidades podem vencer, Stalingrado! Penso na vitória das cidades, que por enquanto é apenas uma fumaça subindo do Volga. Penso no colar de cidades, que se amarão e se defenderão contra tudo. Em teu chão calcinado onde apodrecem cadáveres, a grande Cidade de amanhã erguerá a sua Ordem¿.

Também não falta a denúncia da conjuntura na qual estava inserido e uma exortação ao papel de mudança que cabe aos artistas no poema ¿Nosso Tempo¿: ¿Este é tempo de partido, tempo de homens partidos. Em vão percorremos volumes, viajamos e nos colorimos. A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua. Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos. As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra. (...) O poeta declina de toda responsabilidade na marcha do mundo capitalista e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas promete ajudar a destruí-lo como uma pedreira, uma floresta, um verme¿.

Drummond em outros livros também exorta a solidariedade como no poema ¿Mãos Dadas¿: ¿Não nos afastemos, não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas¿.

Poderia ficar analisando a obra do filho mais conhecido de Itabira por centenas de colunas no Berinjela, mas esse não é o objetivo. Só citei Drummond porque considero que, embora a arte não tenha que ser necessariamente engajada, é muito bom poder contar com artistas que aliam a estética à ética. Infelizmente no Brasil de hoje nos faltam Drummonds, Bandeiras e outros para denunciar a incipiência dos governantes e as injustiças do Brasil. Que falta o gauche mineiro nos faz.

(Desconfio que escrevi sobre política.)

Rafael Martí é jornalista e admirador de Carlos Drummond de Andrade.


Rafael Martí 10:47 AM Exercite sua Liberdade de Expressão:
:: Terça-feira, Dezembro 13, 2005 ::
REVOLUCIONÁRIO, SEM PERDER A TERNURA JAMAIS

Certa vez eu conversava sobre a natureza do amor com algumas amigas e lembro ter divergido radicalmente delas. Eu afirmava que o amor era revolucionário e elas diziam que o amor era plácido, tranqüilo, que revolucionária era mesmo a paixão. Eu insistia, mas não conseguia convencer minhas interlocutoras de minha teoria. Além de ser o único homem num grupo de quatro pessoas, a minha idade jogava contra mim. Era também o mais novo, portanto com menor experiência de vida.

O tempo passou. Eu e minhas amigas percorremos trajetórias diferentes e hoje não tenho mais o mesmo contato com elas que tinha antes. Mas, sem a menor sombra de vaidade, insisto em afirmar minha tese. Ainda que por motivos diferentes, já que vivi mais coisas desde então, continuo a dizer que o amor é revolucionário.

Há quatro anos atrás quando defendi essa tese pela primeira vez fui mal interpretado por um mero detalhe. Como revolucionário minhas amigas acreditavam que eu defendia que o amor era aquela coisa louca e arrebatadora, que nos deixava sem comer, sem dormir e nos levava da depressão à euforia em segundos. Isso, elas diziam, era paixão. Amor não era arrebatador, era algo tranqüilo, quieto, que transmitia calma e paz.

Como divergir de uma opinião tão senso comum? Afinal nove pessoas em dez concordam que o amor é assim. Eu não. E explico por que. Quando eu disse que amor é revolucionário eu não acreditava que ele nos tirava a paz de espírito, nos tirava a fome e o sono. A paixão nos faz isso sim, e apesar de não o conhecer na época, achava que amor era diferente de paixão, mas ainda assim é revolucionário. Quando eu conheci o amor nos braços de uma mulher há apenas oito meses, pude entender que intuitivamente eu tinha acertado na mosca.

Quando digo revolucionário é porque acredito que só o amor é capaz de operar em nós transformações surpreendentes. Só o amor tem a força necessária para dar novos rumos a nossa existência e nos fazer refletir sobre nossos caminhos.

Amar é uma experiência dolorosa. Porque só aprendemos a amar quando começamos a sacrificar nosso ego. O ego não ama ninguém só a si próprio. Por isso devemos dia-a-dia matar nosso ego para dar espaço a nossa essência que é a única capaz de demonstrar amor.

Amar é uma decisão. Implica em fazermos escolhas, em optarmos por nos calar mesmo que aparentemente tenhamos razão naquele momento, apenas para que o companheiro ou companheira se acalme e possa mais tarde nos ouvir com atenção. Amar é se colocar no lugar do outro e buscar sempre a tolerância, a entrega, o sacrifício. Sem essas palavrinhas mágicas não existe amor, pois o ego ainda persiste.

Ao nos obrigar a sacrificar o ego, o amor nos revoluciona. Não há maior força revolucionária nesse mundo. Quando mudamos governos pelas forças das armas, a tirania se restabelece. Quando somos loucamente apaixonados por alguém podemos até mesmo aprisioná-lo em ciúme, mesquinhez e possessão. Mas quando amamos alguém, quando derrubamos a vilania com a força do amor tudo se transforma e o amor permanece. Ao derrubar o tirano, o amor o transforma. Ao amarmos alguém o libertamos. Não é nossa posse, todavia é alguém com quem gostamos de compartilhar nossa vida.

Quando o poeta Luiz de Camões escreveu que ¿amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente¿, é possível que tenha falado sobre a paixão. Porém considero pertinentes seus versos para minha visão de mundo. O amor é sim um fogo que arde sem se ver. Um fogo que nos impulsiona a nos libertar do egoísmo e vivenciar a comunhão. E como bom teimoso torno a afirmar: o amor é revolucionário.

Rafael Martí é jornalista e está tentando aprender a amar, embora reconheça que é difícil.

Rafael Martí 11:50 AM Exercite sua Liberdade de Expressão:
:: Segunda-feira, Dezembro 12, 2005 ::
Tarso de Castro e a disciplina

Esse final de semana li o livro Tarso de Castro: 75 Kg de músculos e fúria, a vida de um dos mais polêmicos jornalistas brasileiros (ed. Planeta), do jornalista Tom Cardoso. Tarso de Castro fundou diversos jornais alternativos, foi colunista da Folha, trabalhou no Última Hora, foi um brizolista apaixonado. Mas a maior façanha desse jornalista romântico, boêmio e mulherengo foi ter fundado o jornal O Pasquim.

Tarso era passional em tudo o que fazia. ¿É melhor viver pela metade por uma garrafa inteira de uísque do que passar a vida inteira bebendo pela metade¿, costumava dizer. A bebida o matou. A sina pelas polêmicas fez dele um mito.



O que mais me impressionou foi que ele era um gênio. Só que fracassou em quase todas as tentativas de criar um jornal que se sustentasse por algum tempo. E pelo que percebi esse fracasso se deu apenas por falta de disciplina. Porque talento não lhe faltava. Genial, capaz de fazer uma coluna em minutos. Criador de tendências no jornalismo. Sem medo de falar o que pensava. Mas sem disciplina.

Tivesse disciplina talvez estivesse vivo, com um jornal forte e combativo como ele. Isso me fez lembrar o que muitos escritores falam. Que o sucesso vem de 90% de transpiração e 10% de talento.Vi muitos gênios se perderem, mas nunca um talento guiado pela disciplina decair. Essa foi a maior lição que tirei do livro.



Rafael Martí 4:44 PM Exercite sua Liberdade de Expressão:
:: Domingo, Dezembro 11, 2005 ::
A ARTE DE GOSTAR DE MULHER

Ainda nos meus tempos de graduação em jornalismo na Uerj, fui assistir a uma palestra do fotógrafo André Arruda, que foi do JB, Globo e trabalhava, entre outras coisas, com moda. Em determinado momento da palestra ele relatava a sua experiência em fotografar nu artístico e soltou a seguinte frase: ¿para fotografar nu feminino é preciso gostar de mulher¿. Eu sorri, porque na minha cabeça aquilo parecia meio óbvio, mas antes que qualquer um fizesse algum comentário ele completou.

¿ Não se trata de gostar de mulher no sentido sexual, ter tesão por mulher nua, essas coisas. Isso pode ter também. Mas se trata de gostar de mulher em um sentido mais profundo. Gostar do universo feminino. Observar que cada calcinha é única, tem uma rendinha diferente e ficar entretido com isso ¿ afirmou.

O fato é que eu concordo com o conceito do Arruda sobre gostar de mulher. Não basta ser heterossexual, o machão latino. Para gostar de verdade de uma mulher são necessários outros requisitos que são raros. Por isso a mulherada anda tão insatisfeita.

Sensibilidade é fundamental. Paciência também. O homem que não tem paciência para escutar a necessidade que a mulher tem de falar, ou sensibilidade para cativá-la a cada dia não gosta de mulher. Pode gostar de sexo com mulher. O que é bem diferente.

Gostar de mulher é algo além, é penetrar em seu universo, se deliciar com o modo com que ela conta todo o seu dia, minuto por minuto, quando chega do trabalho. Ficar admirando seu corpo, ser um verdadeiro devoto do corpo feminino, as curvas, o cabelo, seios. Mas também cultuar a sagacidade feminina, sua intuição, admirar seu sorriso que é muito mais espontâneo que o nosso.

Gostar de mulher é querer fazer a mulher feliz. Levar flores no trabalho sem nenhum motivo a não ser o de ver seu sorriso. É escutar pacientemente todas as queixas da chefa rabugenta, que provavelmente é assim porque seu homem não gosta de mulher.

O homem que gosta de mulher não está preocupado em quantas mulheres ele comeu durante a vida, mas sim com a qualidade do sexo que teve. Quantas mulheres ele realizou sexualmente, fazendo-as se sentirem desejadas, amadas, únicas, deusas, na cama e na vida.

O homem que gosta de mulher não come mulher. Ele penetra não só no corpo, mas na alma, respirando, sentindo, amando cada pedacinho do corpo, e, é claro, da personalidade.

¿Para viver um grande amor é necessário ser de sua dama por inteiro¿, afirmou Vinícius de Morais no poema Para viver um grande amor. Para amar verdadeiramente uma mulher o homem deve ser totalmente fiel, amá-la até a raiz dos cabelos. Admirá-la, se deixar apaixonar todo dia pelo seu sorriso ao despertar e principalmente conquistá-la, seduzi-la, como se fosse a primeira vez. O homem que não tem paciência, nem tesão, nem competência para lhe seduzir várias e várias vezes, esse, minha amiga, não se iluda, não gosta nem um pouco de mulher.

Conquistar o corpo e a alma de uma mulher é algo tão gratificante que tem que ser tentado várias vezes. Só que alguns homens, os que não gostam de mulher, querem conquistar várias mulheres. Os que gostamos de mulher é que conquistamos várias vezes a mesma mulher. E isso nos gratifica, nos fortalece e nos dá uma nova dimensão. A dimensão da poesia, do amor e em última instância do impenetrável universo feminino. Mas atenção amigos que gostam de mulher: gostar de mulher e penetrar em seu universo não é torná-las cativas e sim libertá-las, admirá-las em sua insuperável liberdade.

Uma das músicas com que mais me identifico é uma em inglês ¿ por incrível que pareça, para um nacionalista e anti-imperialista convicto. É a Have you really loved a woman? do cantor Bryan Adams. A música foi tema do filme Don Juan de Marco, e em uma tradução livre quer dizer ¿você já amou realmente uma mulher?¿. Em toda a música o cantor fala sobre a necessidade de se conhecer os pensamentos femininos, sonhos, dá-la apoio, para amar realmente uma mulher.
Essa música é perfeita. Como se vê, gostar de comer mulher é fácil. Agora gostar de mulher é dificílimo. Precisa ser macho de verdade para isso. Quem se habilita?

Rafael Martí é jornalista e gosta muito de mulher, mas só tem olhos para sua morena linda.
Para dúvidas, críticas, elogios, xingamentos, ameaças de morte ou pedidos de casamento (que serão prontamente rejeitados), exercite sua liberdade de expressão em rafaelmarti@globo.com



Rafael Martí 11:35 PM Exercite sua Liberdade de Expressão:
:: Quinta-feira, Dezembro 08, 2005 ::
A SOLIDÃO DE UMA MULHER

Outro dia fui ao cinema ver ¿Jardineiro Fiel¿ de Fernando Meireles. Um pouco antes do filme começar, vi uma cena que me machucou o coração. Estava eu com minha namorada quando ao meu lado sentou uma bela mulher, aparentando uns 40 e poucos anos. Bem vestida, permanente no cabelo, estava com um mate diet e uma pipoca pequena. O que me entristeceu foi ver que aquela mulher bonita estava desacompanhada no cinema em pleno sábado a noite.

Isso me fez pensar sobre muitas coisas. Acredito que as pessoas só deveriam ficar sozinhas por dois motivos: ou porque sacaneiam todo mundo, por isso colhem solidão, ou porque querem efetivamente ficar sozinhas.

Contudo existem muitas pessoas que se fecham e querem estar sozinhas por medo, porque foram humilhadas e enganadas. Em minha opinião isso não deveria ocorrer. É claro que é melhor ficar sozinho do que se sujeitar a uma relação ruim, mas existem muitos homens legais e mulheres idem que podem se encaixar como tampa e panela. O problema é o medo que as impedem de procurar.

Como as pessoas traumatizadas dificilmente vão se encher de coragem criamos um impasse. Os homens continuam sacaneando as mulheres, que cada vez mais optam por ficar sozinhas para não se machucarem de novo. E dificilmente os homens que costumeiramente fazem isso vão se regenerar tão cedo. Os homens que sabem tratar bem uma mulher estão invariavelmente comprometidos. Vamos convir que a conjuntura para as minhas amigas leitoras não é das melhores.

O que fazer então diante disso? Em primeiro lugar amigas, não desistam. Homens leais e honestos existem. Talvez sejam como os patinhos feios da fábula, se colocados no ambiente certo se tornam cisnes. Então procurem com paciência e não descontem neles as suas frustrações. Porque provavelmente eles também são frustrados com mulheres desonestas que os maltrataram.

A segunda medida que vocês podem adotar, é uma medida que só em longo prazo dá resultado e vocês não colherão seus frutos. Mas vale a pena para dar fim a essa rotina: eduquem melhor seus filhos homens.

É isso mesmo. Aprendam a educar seus rebentos e no futuro os homens saberão tratar melhor as mulheres. Não se esqueçam que vocês dão a luz aos homens, vocês os alimentam e vocês em grande parte fortalecem o comportamento machista deles. Ponham seus meninos pra lavar banheiro, cozinhar, valorizar o trabalho doméstico. Ensine a eles que é fundamental valorizar as mulheres, cativá-las e conquistá-las, não como um troféu de caça, mas sim como um ser humano único e especial.

Mulheres, ensinem aos seus filhos que vocês não são objetos. Ensinem que a sexualidade feminina é diferente, que vocês são como água, demoram a aquecer e a esfriar. Ensinem que vocês precisam de carinho, proteção, amparo, liberdade, sexo de qualidade. Ensinem a eles a usar a intuição, a delicadeza. Além de tornar o mundo mais pacífico de quebra vocês contribuem para as mulheres de amanhã se relacionarem com homens de verdade.

Da minha parte só posso repartir minhas idéias e criar meus filhos homens dentro desses princípios. E lutar para que as mulheres sejam mais valorizadas e amadas por nós outros. Assim nenhuma mulher nunca mais vai precisar ir ao cinema sábado a noite sozinha por que não teve outra opção.

Rafael Martí é jornalista e defensor intransigente das mulheres


Rafael Martí 11:49 PM Exercite sua Liberdade de Expressão:
:: Quarta-feira, Dezembro 07, 2005 ::
REVOLUÇÃO FRACASSADA

Outro dia, bisbilhotando pelo Orkut, vi algo que me surpreendeu. A quantidade de casais que se oferecem para sexo grupal é imensa. Em seus perfis a maioria das fotos é da mulher e eles dizem que só aceitam outros casais ou outra mulher no ¿jogo¿. Acho que não deveria ter me surpreendido tanto, afinal desde Roma, pelo menos, que a humanidade se congrega em bacanais, surubas, orgias ou similares. Mas confesso que fiquei pensando em por que as mulheres se expõem dessa maneira e entram no jogo do parceiro.

Na década de 60 foi o auge do movimento feminista, sutiãs queimados em praça pública e direitos iguais para homens e mulheres. A revolução sexual mexeu com os costumes e a pílula libertou mulher. Mas a que preço?

Em primeiro lugar quero deixar bem claro que não concordo de modo algum com os papéis reservados a homens e mulheres no início do século. Não acho que o lugar da mulher seja no tanque de roupa suja, na beira do fogão, esperando submissa em casa por seu amo e senhor. Vocês são tão ou mais capazes de conduzir o destino político dos povos quanto nós outros. Devem exigir sim, salários iguais em funções parelhas.

Ocorre que homens e mulheres são e sempre serão diferentes. Veja bem, diferentes e não melhores. No Talmud, livro sagrado judeu, por exemplo, está escrito que ¿a mulher veio da costela do homem. Não da cabeça para ser superior, nem dos pés para ser pisada, mas do lado para seu igual¿. Todavia as diferenças são muitas, embora uma se destaque.

Só as mulheres podem ser mães. Só elas sabem o que é carregar uma vida em seu ventre. Esse detalhe que muda tudo já que as confere uma visão de mundo diferente da masculina. A lógica feminina é a lógica do cuidado, da delicadeza, já que não se pode ser um estúpido, um rompedor ou um aventureiro com um bebê em seus braços.
Foi exatamente nesse ponto, por não respeitar essa diferença que lhes era peculiar e as tornam especiais, que o movimento feminista errou. Achou que essa condição de delicadeza as tornava inferiores, quando essa era sua maior grandeza e força. O mundo já estava excessivamente dominado pela brutalidade masculina, pela lógica da competição, da guerra. Pedia e agora implora pela lógica da delicadeza, cuidado e diálogo, a lógica feminina de mundo. Infelizmente acabaram optando pela lógica da força. Um exemplo disso é que uma das mulheres mais poderosas do mundo pós-revolução feminista, a primeira-ministra britânica Margareth Thachter, a dama de ferro, começou a implantar a mais cruel política econômica que se tem notícia: o neoliberalismo.

As companheiras fracassaram em sua revolução também no campo da sexualidade. Quiseram se transformar em homens e deturparam a visão do sexo que nós homens já havíamos deturpado. Nunca concordei com o homem que tem várias mulheres, é o galinha, engana todas, não se preocupa com sentimentos. O homem que separa o sexo do amor, que opta pela animalização do sexo ao limite. O que as mulheres fizeram? Ao invés de nos ensinar a amar, a fazer amor, as companheiras acharam que banalizando sua sexualidade poderiam conquistar o mundo. E estão entrando cada vez mais na orgia, participando da destruição dos sentimentos. E depois jogam a culpa nos homens, reclamam que ninguém quer nada sério, etc. Ora companheiras, vocês fizeram a revolução, assumam sua culpa. É duro ouvir isso, mas pensem bem se não tem uma certa lógica por detrás dos meus argumentos apaixonados?

Está nas mãos das mulheres rearrumar isso. Refundar a revolução feminista não pela lógica agressiva e competidora do homem, nem pela lógica do sexo pelo sexo. Mas pela lógica do cuidado, do zelo, do sexo com amor e, sobretudo da delicadeza. Porque companheiras leitoras, não esperam essa transformação vinda dos homens. Nós fracassamos.

Enquanto essa verdadeira revolução feminista não ocorrer, a vida estará imitando a arte. Em A Revolução dos Bichos, o escritor inglês George Orwel escreve uma fábula na qual os bichos de uma fazenda fazem uma revolução para se livrar da opressão humana. Mas após o processo revolucionário os porcos tomam o poder e passam a oprimir os outros bichos. No fim já não é mais possível distinguir porcos e homens.

Essa parábola foi escrita numa crítica ao stalinismo soviético, que teria destruído os ideais da revolução bolchevique, mas tenho para mim que serve para inúmeras, senão todas as revoluções da história. No caso da revolução feminista, as companheiras mulheres estão cada vez mais parecidas com nós homens.

Rafael Martí é jornalista e defende a revolução do amor e da delicadeza


Rafael Martí 3:42 PM Exercite sua Liberdade de Expressão:
:: Terça-feira, Dezembro 06, 2005 ::
A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

Esse blog estava totalmente atualizado. A proposta dele foi ser inicialmente um espaço de crítica, comentário e notícias sobre um ângulo alternativo. Descambou para a poesia e depois para o esquecimento.
A princípio ele ainda ficará um pouco parado, devido a alguns compromissos de final de ano - leia-se concursos públicos.
Mas para que não fique muito velho pretendo postar aqui os textos que escreve em alguns periódicos alternativos como a Revista Mandala, sobre espiritualidade, e Simplesmente Bonitta, sobre meu assunto preferido, as mulheres.
Mulher é tudo de bom, gente boa. Não existe coisa melhor.
Na verdade existe. Melhor que mulher só aquela mulher que faz teu coração bater em descompasso, te faz perder o sono e tua vida valer a pena. Melhor que mulher só aquela que te dá um sorriso no fim da tarde e faz valer o dia duro de trabalho - porque, embora não pareça, já que vivemos escrevendo, jornalista também trabalha.
Eu me apaixono fácil. Confesso. Mas há um ano e um mês eu venho me apaixonado mais facilmente ainda. E a cada dia me apaixono de novo. Só que pela mesma mulher. Incrível como isso é possível. Existiram mágoas brigas, mas o sorriso dela derrete meu orgulho como nenhuma outra foi capaz de fazer.
Agora estou dando um passo decisivo. Vou noivar. E isso dá um medo. Significa escolher me apaixonar só por uma mulher e abrir mão de me apaixonar por outras. E eu que gosto tanto de mulher, vou abdicar de todas para fazer uma em especial feliz. Significa crescer, amadurecer, deixar de ser cuidado e aprender a cuidar.
Não tenho durmido muito bem por isso. Mas acho que noivar e casar será mais que um desafio. Será uma deliciosa aventura.
E eu vou continuar gostando de mulher, mais do que nunca. Afinal fazer uma mulher feliz é pra quem gosta muito de mulher.


++++++++++++++++++++++++++

Nesse espaço eu pretendo falar muito sobre mulher. Mas também sobre política e divagar sobre a vida. Se tiverem alguma sugestão a fazer, fiquem a vontade é só mandar um e-mail no link cartas ao editor.


Rafael Martí 9:29 PM Exercite sua Liberdade de Expressão:
:: Terça-feira, Junho 07, 2005 ::



Eu realmente acreditei no operário. E me doí saber que o operário se esqueceu de quem é e de onde veio. Estou matutando um texto sobre esse mar de lama no PT. Deverei postar em breve. Em breve também meu primeiro texto no jornal alternativo Mandala.


Rafael Martí 10:58 PM Exercite sua Liberdade de Expressão: